Bem-vindos ao blog da SBPP
Leonardo Nascimento, diretor científico
Departamento Científico da SBPP
Assumir a coordenação do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Peptídeos representa, para mim, o compromisso de acompanhar de perto cada etapa dos projetos desenvolvidos pela SBPP.
Estarei pessoalmente envolvido na definição das perguntas de pesquisa, na construção dos protocolos, na escolha dos desfechos, na análise da qualidade metodológica e no acompanhamento dos resultados. Minha função também será identificar as pontas que ainda precisam ser conectadas para que uma boa ideia possa se transformar em uma pesquisa ética, viável e cientificamente relevante.
Não queremos apenas discutir possibilidades. Queremos construir projetos que possam sair do papel.
O que iremos pesquisar
As pesquisas desenvolvidas e apoiadas pela SBPP serão direcionadas para áreas como:
- composição corporal, obesidade e metabolismo;
- massa muscular, força e desempenho físico;
- envelhecimento e longevidade saudável;
- recuperação musculoesquelética e reparação tecidual;
- dor, inflamação e modulação imunológica;
- saúde neurológica e comportamento;
- segurança, tolerabilidade e efeitos adversos;
- qualidade, estabilidade e formas de administração;
- regulamentação e desenvolvimento de pesquisas clínicas no Brasil.
A escolha de cada linha de investigação dependerá da relevância científica, da qualidade das evidências disponíveis, da segurança, da viabilidade metodológica e do enquadramento ético e regulatório.
Como transformaremos ideias em pesquisas
Nosso trabalho começará com uma análise cuidadosa da literatura científica. Precisamos compreender o que já foi estudado, quais resultados são realmente confiáveis e quais perguntas ainda permanecem sem resposta.
A partir dessa base, poderemos desenvolver:
- revisões sistemáticas e mapeamentos de evidências;
- estudos observacionais;
- pesquisas sobre segurança e tolerabilidade;
- estudos de composição corporal e desempenho físico;
- ensaios clínicos;
- projetos multicêntricos;
- registros e bancos de dados nacionais;
- colaborações com universidades e centros de pesquisa.
Também acompanharei a construção dos protocolos, a escolha dos métodos de avaliação, a formação das equipes, as submissões ao sistema CEP/Conep e, quando aplicável, os processos relacionados à Anvisa.
Uma construção conectada com outros pesquisadores
A ciência não se desenvolve de forma isolada. Por isso, parte importante do meu trabalho será ampliar o diálogo da SBPP com pesquisadores brasileiros e internacionais.
Venho estabelecendo conversas e contatos científicos com profissionais ligados à pesquisa musculoesquelética, ao exercício, à biomecânica, ao metabolismo e à reabilitação.
Esses contatos representam pontes acadêmicas importantes para discutir métodos, amadurecer perguntas, revisar propostas e identificar possibilidades reais de cooperação entre universidades e centros de pesquisa.
Quero aproximar essas experiências do projeto da SBPP, trazendo outros pesquisadores para a conversa sempre que suas áreas de conhecimento puderem contribuir para a qualidade dos nossos estudos.
Ciência antes da promessa
A SBPP não nasce para confirmar crenças ou validar produtos. Nossa função será formular perguntas relevantes e investigá-las com rigor.
Resultados obtidos em laboratório ou em animais não podem ser automaticamente transferidos para seres humanos. Da mesma forma, plausibilidade biológica, relatos individuais e disponibilidade comercial não representam comprovação de eficácia ou segurança.
Nosso objetivo será identificar com clareza:
- o que já possui sustentação científica;
- o que ainda permanece incerto;
- quais riscos precisam ser investigados;
- quais linhas justificam novos estudos;
- quais aplicações ainda não possuem evidências suficientes.
Os resultados deverão ser comunicados mesmo quando forem negativos ou inconclusivos.
Pesquisa científica não é procurar apenas a resposta que gostaríamos de encontrar. É aceitar o que os dados mostram.
Meu compromisso com a SBPP
Meu compromisso é acompanhar os projetos de perto, conversar com os pesquisadores envolvidos, revisar os processos, identificar fragilidades e buscar as conexões necessárias para que a SBPP produza ciência relevante.
Não queremos que o Brasil seja apenas consumidor de informações e tecnologias produzidas no exterior. Queremos contribuir para que o país também formule perguntas, desenvolva protocolos, conduza pesquisas e participe ativamente da construção desse conhecimento.
Estamos no início de um projeto ambicioso. Ele será construído com trabalho, colaboração, responsabilidade e método.
O futuro da pesquisa em peptídeos no Brasil precisa ser orientado pela ciência, pela ética e pela coragem de investigar aquilo que ainda não sabemos.