Viena 2026: a SBPP na mesa das sociedades internacionais de peptídeos
Na reunião do International Liaison Committee, durante o 38º European Peptide Symposium em Viena, a SBPP apresentou o 1º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Peptídeos e assumiu seis compromissos com a rede internacional.
Entre 7 e 9 de setembro de 2026, a SBPP esteve no 38º European Peptide Symposium (EPS 2026), na Universidade de Viena, e apresentou o 1º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Peptídeos às sociedades de peptídeos de diferentes continentes, reunidas no International Liaison Committee. Mais do que uma participação, a missão marcou a entrada da SBPP na rede que organiza a ciência de peptídeos no mundo — e deixou claro o que o Brasil pode oferecer a ela.
Em resumo
- O quê: a SBPP participou do 38º European Peptide Symposium (EPS 2026) e da reunião do International Liaison Committee, que reúne as sociedades de peptídeos de diferentes continentes.
- Quando e onde: de 7 a 9 de setembro de 2026, na Universidade de Viena, Áustria; a reunião das sociedades ocorreu em 9 de setembro.
- Principal resultado: o 1º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Peptídeos (6 e 7 de março de 2027, São Paulo) foi apresentado às sociedades internacionais e entrou no calendário mundial de 2027.
- Próximos passos: seis compromissos, entre eles um conselho científico internacional para o simpósio e espaço central para pesquisadores em início de carreira.
Por que a SBPP foi a Viena
Uma sociedade científica se consolida quando passa a ser reconhecida pelas sociedades irmãs. Estatuto, site e diretoria são o ponto de partida; o passo seguinte é estar presente nos espaços onde a comunidade internacional discute método, formação de pesquisadores, política editorial e calendário — e ser recebida ali como interlocutora.
O 38º European Peptide Symposium era o caminho natural para isso. Realizado de 6 a 11 de setembro de 2026 sob os auspícios da European Peptide Society, o EPS 2026 ocupou o prédio principal da Universidade de Viena, na Ringstrasse, com sessões no Auditorium Maximum e no Arkadenhof, sob presidência local dos professores Christian Gruber (MedUni Wien) e Christian F. W. Becker (Universidade de Viena).
A delegação da SBPP, formada por Ítalo Sávio Marin da Costa, Diretor Médico e de Pesquisa Translacional, e por Isabella Reis Martin Costa, esteve no EPS 2026 de 7 a 9 de setembro, com três objetivos:
- apresentar formalmente a sociedade à comunidade internacional de peptídeos;
- compreender como as sociedades se relacionam institucionalmente entre si — reconhecimento, reciprocidade, cooperação;
- apresentar o simpósio brasileiro de 2027 e começar a compor seu programa científico.
O que a ciência de peptídeos discute hoje
A programação do EPS 2026 dá a medida da amplitude do campo: química sintética de peptídeos e métodos sustentáveis; peptídeos e proteínas em biologia química; peptidomiméticos; fármacos peptídicos e química medicinal; tecnologias emergentes de desenvolvimento de fármacos; conjugados; estrutura e conformação; e duas trilhas de peptídeos bioativos — uma dedicada a antimicrobianos, vacinas, antitumorais e imunomodulação, outra a neuropeptídeos, hormônios, receptores, canais iônicos, transportadores e metabolismo.
Peptídeos são hoje um dos campos mais dinâmicos da química medicinal e do desenvolvimento de fármacos. É nesse patamar de rigor que a SBPP se posiciona.
A reunião das sociedades, em 9 de setembro
O momento central da missão foi a reunião do International Liaison Committee, realizada em 9 de setembro na Universidade de Viena, com representantes de sociedades de peptídeos de várias regiões do mundo em torno de uma mesma mesa.
A pauta mostra a natureza do encontro: boas-vindas e apresentação dos participantes; atualizações de cada sociedade; futuros simpósios internacionais; estratégias de comunicação; e assuntos gerais. É um fórum de coordenação — o espaço em que as sociedades alinham calendário, compartilham experiência de organização e definem como falar umas com as outras.
Foi nesse espaço que a delegação da SBPP apresentou o 1º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Peptídeos, em São Paulo, nos dias 6 e 7 de março de 2027. A recepção foi positiva, com incentivo explícito à divulgação do encontro nos canais das demais sociedades.
Três pontos da discussão orientam diretamente o que estamos construindo:
- a proposta de que eventos efetivamente internacionais incluam representantes formais de outras sociedades de peptídeos em seu Scientific Advisory Board, combinando pesquisadores experientes e emerging investigators (pesquisadores em início de carreira);
- o LinkedIn como canal profissional prioritário para a comunicação entre sociedades — a American Peptide Society foi citada como referência de presença consolidada, e a European Peptide Society relatou estar construindo a sua;
- a integração editorial entre sociedades, com a recomendação de que parcerias com periódicos já existentes tendem a ter mais valor, no início, do que a criação de uma revista própria.
O circuito mundial dos simpósios de peptídeos
A ciência de peptídeos se organiza em torno de um circuito de sociedades nacionais e regionais, cada uma com seu simpósio, em cadências que se complementam. Enxergar esse circuito é o que permite a uma sociedade nova convidar palestrantes com antecedência real, evitar sobreposições e propor colaborações que façam sentido para todos.
Em 2027, o calendário das principais sociedades fica assim:
- 25 a 27 de fevereiro — 11º Indian Peptide Symposium, da Indian Peptide Society, no IIT Gandhinagar;
- 6 e 7 de março — 1º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Peptídeos, da SBPP, em São Paulo;
- 20 a 24 de junho — 30º American Peptide Symposium, da American Peptide Society, em Boston, com o tema Peptide Revolution: Connecting Chemistry, Biology, and Beyond;
- 17 a 22 de outubro — Australian Peptide Conference, da Australian Peptide Association, em Port Douglas (data anunciada na reunião);
- 21 a 25 de novembro — 17º International Peptide Symposium, realizado em conjunto com o 64º Japanese Peptide Symposium, da Japanese Peptide Society, em Osaka.
O simpósio brasileiro ocupa, portanto, uma janela própria no primeiro semestre, entre o encontro indiano e o americano.
Para os grupos brasileiros, esse calendário é também um mapa de oportunidades: várias dessas sociedades mantêm programas de apoio à participação de jovens pesquisadores em seus simpósios, como bolsas de viagem — uma porta de entrada concreta para quem quer levar trabalho brasileiro à mesa internacional.
O European Peptide Symposium, que acontece a cada dois anos, trabalha em um horizonte ainda mais longo. Na reunião foram apresentadas as sedes previstas para as próximas edições:
- 2028 — Lille, França;
- 2030 — Portugal;
- 2032 — Hungria;
- 2034 — Polônia;
- 2036 — Bélgica;
- 2038 — Suécia.
Uma comunidade que já sabe onde estará reunida em 2038 planeja com consistência. Integrar-se a ela exige a mesma disposição de pensar no longo prazo.
O que se aprende com quem já fez
Uma das experiências mais úteis compartilhadas na reunião veio da Austrália. A Australian Peptide Association organiza encontros de escala deliberadamente controlada, em torno de 200 participantes, com forte ênfase na participação de pesquisadores em início de carreira. A 16ª Australian Peptide Conference, realizada em Launceston, na Tasmânia, em outubro de 2025, reuniu 186 participantes de 17 países, com 79 palestras, 20 apresentações de pesquisadores em início de carreira e 54 pôsteres, e encerrou com leve superávit sem aumento do valor de inscrição — resultado atribuído sobretudo a patrocínio e apoio institucional local. Para uma primeira edição brasileira, é um parâmetro inspirador: mostra que qualidade científica, alcance internacional e sustentabilidade podem nascer juntos.
Pequeno o suficiente para gerar conexão; internacional o suficiente para gerar legitimidade; forte o suficiente para se tornar um encontro recorrente.
A identidade da SBPP: onde pesquisa, clínica, indústria e regulação se encontram
Os simpósios internacionais de peptídeos nasceram da química e da biologia acadêmicas, e é nessa tradição que está a base de todo o campo. A SBPP se reconhece nela e a adota como referência de rigor.
Ao mesmo tempo, a SBPP nasce com uma vocação própria, que responde à realidade brasileira: ser o espaço em que a pesquisa acadêmica encontra a prática clínica, o desenvolvimento industrial e o diálogo regulatório. É o que se vê na composição da própria diretoria, que reúne pesquisadores, médicos, profissionais de saúde, empreendedores e representantes do setor produtivo.
Por isso, o 1º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Peptídeos reunirá, ao lado da ciência acadêmica, a perspectiva clínica, a indústria e a regulação — com o mesmo padrão de exigência em todas elas.
Uma ponte entre o laboratório e o paciente, construída com o rigor que a comunidade internacional exige.
Essa vocação translacional não afasta a SBPP das sociedades internacionais. É, ao contrário, a contribuição que o Brasil pode levar a essa rede. A própria reunião de Viena apontou a conexão entre academia e indústria como um dos eixos para o futuro dos simpósios.
O que a SBPP assume a partir daqui
A missão produziu compromissos claros. São seis:
- a SBPP é uma plataforma brasileira integrada à comunidade internacional de pesquisa em peptídeos — não um congresso nacional com convidados estrangeiros;
- o primeiro simpósio nasce com um conselho consultivo científico internacional que funcione de fato, com curadoria, indicação de palestrantes e avaliação de resumos;
- o programa une ciência acadêmica, prática clínica, indústria e regulação, sob o mesmo padrão de rigor;
- pesquisadores em início de carreira ocupam o centro do desenho científico, com espaço competitivo para apresentações orais, pôsteres e reconhecimento formal;
- a comunicação institucional é feita também em inglês e compartilhada com as sociedades parceiras;
- o objetivo de 2027 é credibilidade, rede e recorrência. A escala virá como consequência.
Perspectiva da SBPP
Voltamos de Viena com uma convicção: o Brasil tem pesquisadores, clínicos e indústria com competência em peptídeos — e tem agora uma sociedade capaz de representá-los de forma organizada nos fóruns onde essa ciência é discutida e planejada.
Estar nessas mesas muda o papel do país. O Brasil passa a participar da formulação das perguntas e do desenho dos estudos, contribuindo com a experiência clínica e científica de um país de dimensão continental.
A SBPP assume esse lugar com método: formular perguntas relevantes, conduzir estudos com rigor metodológico e enquadramento ético, comunicar resultados com transparência — inclusive quando forem negativos ou inconclusivos — e manter a mesma distância do alarmismo e do entusiasmo sem evidência.
Março de 2027, em São Paulo, será o primeiro encontro dessa rede em solo brasileiro. As portas estarão abertas às sociedades que nos receberam em Viena.
1º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Peptídeos · 6 e 7 de março de 2027 · São Paulo
Para acompanhar a preparação do simpósio e os próximos passos da agenda internacional, siga a SBPP no Instagram e no LinkedIn (@sbppeptideos) ou associe-se à SBPP.
Fontes
- European Peptide Society — eurpepsoc.com
- 38th European Peptide Symposium (EPS 2026) — univie.eventsair.com/eps2026
- American Peptide Society — americanpeptidesociety.org · aps2027.org
- Japanese Peptide Society — peptide-soc.jp · ips2027.org
- Australian Peptide Association — ozpeptide.org
- Indian Peptide Society — indianpeptidesociety.com
As sedes futuras do European Peptide Symposium e a data da Australian Peptide Conference de 2027 foram apresentadas na reunião do International Liaison Committee de 9 de setembro de 2026 e aguardam publicação oficial pelas respectivas sociedades.
Ítalo Sávio Marin da Costa é Diretor Médico e de Pesquisa Translacional da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Peptídeos (SBPP). Representou a SBPP no 38º European Peptide Symposium (EPS 2026), em Viena, e na reunião do International Liaison Committee, em setembro de 2026.
Conteúdo de caráter institucional e informativo. Não constitui recomendação terapêutica.